Opinião | Rodrigo Nunes

Umaro Sissoko Embaló, o irrelevante

Umaro Sissoko Embaló, ex-primeiro ministro da Guiné-Bissau, anunciou a sua disponibilidade para concorrer às eleições presidenciais de 2019 do país, concorrendo contra aquele que o nomeou para liderar o Governo do país, José Mário Vaz. Mas será que Sissoko está a atraiçoar José Mário Vaz, ou será que foi o ainda Presidente da República que sacrificou o seu Primeiro Ministro no momento da sua exoneração?

Em qualquer dos casos, Sissoko Embaló, o dito General que no Estado Maior acusam de ter comprado a patente, é irrelevante.

Se Sissoko trai agora José Mário Vaz é só porque sente o sangue, qual hiena, da possibilidade da não reeleição para um segundo mandato presidencial. Sissoko trai o Presidente da República para se posicionar como o seu sucessor, levando consigo o PAIGC dos 15 e todos os outros que o seu dinheiro conseguir convencer.

Se José Mário Vaz sacrificou Sissoko no lugar de Primeiro Ministro foi porque já tinha perdido a sua utilidade política para o Presidente, tornando-se irrelevante, numa altura em que este vivia a humilhação da sanção da CEDEAO ao seu próprio filho, Herson Vaz, o testa de ferro dos negócios claros e cinzentos da Jomav Sarl, das madeiras, e das malas diplomáticas.

O anúncio da candidatura presidencial de Sissoko é por isso, também ele, irrelevante. Ao ex-Primeiro Ministro não se lhe conhece um, um único que seja, pensamento político. Muito menos uma ideia estratégica para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.

O verdadeiro Sissoko não é o Sissoko político. É o Sissoko do Hotel Ledger transformado em residência privada. É o Sissoko do avião privado, pago não se sabe bem com que dinheiro, estacionado em permanência no aeroporto de Bissau à espera de levantar para um fim-de-semana de férias num qualquer sítio de luxo preferencialmente perto de uma poderosa eminência com escrúpulos duvidosos em África, Médio Oriente ou Magrebe.

É o Sissoko das bagagens sem inspecção das autoridades aeroportuárias e que permitiam levar tudo, mesmo TUDO. É o Sissoko que não se importou de ser humilhado por Botche Candé em Conselho de Ministros, por causa da invasão da Segurança de Estado, para se manter agarrado ao poder. É o Sissoko que quer ser o Presidente de todos os guineenses, mesmo depois de ter sido humilhado pelo PAIGC com a expulsão da sua sede. É um Sissoko que não se importou de ser teleguiado por Braima Camará, Luís Sanca, Soares Sambú, José Mário Vaz, e até Botche Candé, quando ainda eram todos amigos e o saque aos cofres do Estado da Guiné-Bissau dava para todos.

Sissoko é o que é. É disposto a tudo. E por isso mesmo perigoso, no futuro e sobretudo no presente. Nada irrelevante.

Rodrigo Nunes, Dakar

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