África Subsaariana

Zimbábue: MDC acusa governo de colocar o país em estado de emergência não declarado

O principal partido da oposição do Zimbábue, MDC, acusou o governo de colocar o país sob estado de emergência não declarado, com forças de segurança virtualmente acampadas em cidades e subúrbios de alta densidade.

O porta-voz do MDC, Jacob Mafume, afirmou na quarta-feira que o governo tornou-se a maior ameaça à paz e à estabilidade, detendo arbitrariamente membros da sociedade civil e realizando demonstrações fraudulentas num esforço para encontrar uma desculpa para declarar estado de emergência.

“Desenvolvimentos recentes no país expuseram um governo fracassado que está a governar com medo das exigências dos cidadãos que querem ser governados de maneira diferente e eficaz. O país está efetivamente em bloqueio militar. Os soldados armaram tendas nos subúrbios de alta densidade e não foi apresentada ao parlamento nenhuma justificação, de acordo com os requisitos constitucionais. Há também uma tentativa inconstitucional do governo ilegítimo de proibir manifestações e greves”, disse Mafume.

Através dos meios de comunicação estatais, o governo e a polícia alertaram os possíveis manifestantes, acusando os EUA e a sociedade civil de estarem por trás da conspiração para tirar o presidente Emmerson Mnangagwa e o seu governo do poder por causa do fracasso em deter o declínio económico.

O governo já colocou os seus agentes de segurança em alerta máximo para lidar com as supostas conspirações para afastar Mnangagwa do poder.

Enfrentando um forte aumento no custo de vida, falta de combustível, energia insuficiente e salários a perder o poder de compra, os trabalhadores alertaram que não têm outra opção senão enfrentar o governo.

O ministro dos Assuntos Internos, Cain Mathema, alertou na segunda-feira que as greves poderão implicar a ação drástica das forças de segurança.

Mafume disse que isso era apenas uma desculpa para justificar a intervenção militar para impedir a manifestação pacífica do povo do Zimbábue.

Nelson Chamisa, líder do MDC, reiterou que o seu partido está preparado para tirar Mnangagwa e o seu governo do poder antes que o seu mandato de cinco anos termine.

Falando no congresso do MDC, Chamisa disse que o seu partido forçaria Mnangagwa a sentar-se à mesa de negociações para garantir que as eleições sejam realizadas bem antes de 2023.

Recorde-se que na semana passada, sete ativistas foram presos e continuam detidos sob a acusação de tentar subverter um governo constitucionalmente eleito.

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