Ciência | São Tomé e Príncipe

STP: Sundy, no Príncipe, acolhe centenário da expedição de Arthur Eddington

A ilha do Príncipe é, nestes dias, um dos palcos mundiais da celebração dos 100 anos da comprovação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein.

O eclipse solar ocorrido em 29 de maio de 1919 permitiu a duas equipas de astrónomos britânicos, uma na roça Sundy, na ilha são-tomense do Príncipe – chefiada por Arthur Eddington – e outra em Sobral (Ceará) – liderada por Andrew Crommelin -, confirmar a hipótese do encurvamento gravitacional da luz, formulada quatro anos antes pelo físico alemão Einstein. Foi considerada uma “revolução científica” depois da I Guerra Mundial.

«O processo de reconhecimento deste episódio, à escala regional, nacional e internacional, tem-se manifestado em iniciativas pontuais, com especial incidência durante a última década. Essas iniciativas direcionaram-se, gradualmente, para as celebrações que em 2019 assinalam o centenário do eclipse de 1919, com uma projeção internacional que se consolida, localmente, no Espaço Ciência Sundy», lê-se na brochura relacionada com o acontecimento.

Este espaço será inaugurado esta quarta-feira, no local onde ocorreu a observação do eclipse –, com as presenças dos chefes de Estado de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho, de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, da Guiné equatorial, Obiang N’Guema, e do chefe do governo santomense, Jorge Bom Jesus.

«O distanciamento de 100 anos permitiu rever o último século e projetar os próximos tempos e, por isso, além deste Espaço constituir um legado físico, é também a pedra fundamental para a criação de um espaço dinâmico e vivo de Ciência enquadrado no plano de desenvolvimento sustentável da ilha do Príncipe», acrescenta o documento.

A roça Sundy, hoje um espaço turístico, acolherá também, no futuro, o Planetário, que será o símbolo deste espaço temático, além de preservar a memória do legado industrial.

De acordo com Maria dos Prazeres, membro da Comissão Organizadora “estão criadas as condições necessárias para o evento”, apesar das chuvas constantes.

Ela acrescentou que a Região Autónoma do Príncipe acolhe nestes dias cerca de 80 cientistas e investigadores de todo o mundo, que participam em palestras sobre vários temas, como a participação das “Mulheres na Ciência” ou a “Astronomia, África e Agenda 2030” (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU).

Estão programados encontros como o do Grupo Lusófono de Astronomia para o Desenvolvimento (PLOAD, na sigla em inglês), com a participação dos representantes de Portugal, Moçambique, Cabo Verde, Brasil e São Tomé e Príncipe.

Os eventos são o culminar de um trabalho que começou em 2013, por iniciativa do Governo da Região Autónoma do Príncipe e várias organizações internacionais, envolvendo os alunos e a população da ilha.

«A celebração teve sempre como premissa o envolvimento da população do Príncipe», referiu a responsável, que afirmou que o centenário permite “evocar um orgulho que poderia estar mais adormecido”, além de garantir uma projeção internacional.

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