Crise | Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Portugal e Angola na mira dos ataques do MADEM-G15

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O Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15), principal força da oposição na Guiné-Bissau, através do seu grupo parlamentar, acusa Portugal e Angola na “ingerência dos assuntos internos da Guiné-Bissau”.

Os dois países manifestaram recentemente, em circunstâncias diferentes, que a nomeação de um novo primeiro-ministro não depende da situação no parlamento, marcada com eleição do segundo vice-presidente.

Para o MADEM-G15, segundo Abdu Mane do grupo parlamentar desta formação política, “Angola não tem lições de moral a dar à Guiné-Bissau no âmbito da democracia e dos direitos humanos”, atacando, por outro lado, o embaixador angolano no país, Daniel Rosa, por “este ter falado do fim do mandato do Presidente da República, José Mário Vaz” quando em Angola os “direitos fundamentais são sistematicamente vandalizados”.

“Induzidos a erro através de uma conspiração e intriga política internacional contra o país pelo PAIGC e os seus aliados com o propósito de denegrir a imagem da Guiné-Bissau, movidos por interesses obscuros e inconfessos em detrimento do interesse nacional, logo Angola, país em que os guineenses contribuíram, nomeadamente, para a concretização de 11 de Novembro de 1975, consequentemente a proclamação da independência, país que não tem lição de moral a dar à Guiné-Bissau no âmbito da democracia e dos direitos humanos, não havendo amnésia política. Quem não se recorda da realização da primeira volta das eleições de 1992 que foi interrompida com a chacina política de Dr. Salupeto Pena e do General “Bem Bem”, pelo governo angolano cuja segunda volta veio a realizar-se 30 anos depois” acusou Abdu Mane.

Sobre Portugal o MADEM-G15 disse “não estranhar”, lembrando que Lisboa “em tempos condecorou, com medalha de mérito, o chefe de uma rebelião “A Junta Militar”, no dia 22 de Agosto de 1999, em São João da Barra, que derrubou um Presidente democraticamente eleito, pondo em crise o nosso sistema democrático”, numa alusão a Ansumane Mane, líder a Junta Militar, que chefiou a guerra de 7 de Junho de 1998, contra o então Presidente Nino Vieira.

“Portugal que brindou a Europa e o mundo com a sua célebre geringonça e ofuscou a vontade expressa da maioria dos eleitores portugueses que votaram na coligação Portugal a frente, PAF, (PSD + CDS), nas últimas eleições legislativas naquele país” disse, sublinhando que “a Guiné-Bissau não aceitará enveredar pela via da construção de uma democracia de segunda”, disse o mesmo responsável.

O Movimento para Alternância Democrática apelou, entretanto, as autoridades portuguesas e angolanas “a respeitarem a soberania da Guiné-Bissau, as leis e as suas instituições”.

A posição do grupo parlamentar do MADEM-G15 surge após as sessões de audição promovidas está sexta-feira pelo Presidente da República, com vista à nomeação de um novo primeiro-ministro, depois de três meses da realização das eleições legislativas.

Tiago Seide / Redacção

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