Angola

Angola: João Lourenço afirma que dívida pública serviu para financiar enriquecimento ilícito

Presidente de Angola, João Lourenço

O Presidente da República de Angola e líder do MPLA, João Lourenço, declarou neste sábado, 15 de junho, que a dívida pública, em especial a externa, atingiu níveis muito altos porque serviu também para financiar o enriquecimento ilícito de uma elite restrita, selecionada na base no parentesco, amizade e compadrio.

De acordo com o dirigente do partido no poder, com esta situação de injustiça, que urge corrigir, por cada dólar que se despende para amortizar o serviço da dívida, o Estado está igualmente a pagar o investimento dito privado na banca, na telefonia móvel, nos médias e diamantes, entre outros, “que uns poucos fizeram com dinheiros públicos”.

As afirmações foram feitas na sessão de abertura do VII congresso extraordinário do MPLA, em Luanda, onde o Chefe de Estado acrescentou não ser aceitável “e nem podemos nos conformar com o facto de se ter chegado ao ponto de colocar empresas públicas, com destaque para a Sonangol e a Sodiam, a financiar também alguns desses negócios privados, como se de instituições de crédito se tratassem”.

O presidente do MPLA considera que, se conseguir inverter essa situação, o Governo vai combater melhor a pobreza com estes e outros recursos, bem como retirar cada vez mais cidadãos do limiar da pobreza e edificar uma verdadeira classe média com um nível de vida aceitável.

Além de ter lembrado o “grande esforço” feito para a reconstrução nacional, que obrigou o país a recorrer ao endividamento externo, situado hoje nos 63% da dívida pública que, por sua vez, representa 84% do Produto Interno Bruto (PIB), mencionou ainda o facto de o fim do conflito armado ter destruído grande parte de infraestruturas, o que levou Angola a endividar-se mais para realizar investimentos em estradas e pontes, portos, aeroportos e caminhos-de-ferro, centrais hidro e termoelétricas e respetivas linhas de transmissão, centrais de captação e tratamento de água, entre outros.

“A dívida pública e, particularmente, a dívida externa, atingiu níveis tão altos, comparado ao que realmente se investiu nas infraestruturas, porque ela serviu também para financiar o enriquecimento ilícito de uma elite restrita muito bem selecionada na base do parentesco, do amiguismo e do compadrio, que constituíram conglomerados empresariais com esses dinheiros públicos”, reforçou.

Segundo o governante, o maior desafio passa agora por aumentar a produção interna e a diversificação da economia, tornando-a cada vez menos dependente das receitas da exportação do crude. Outro desafio é o de as autoridades implementarem o poder autárquico para o resgate da vida dos municípios, de forma a travar o êxodo crescente das populações, através da criação de melhores condições sociais.

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